13 de fevereiro de 2011

Aos que disseram que não iria ser:
Foi, permanece a forma e será
Enquanto a vontade vier
Enquanto a Terra não ceder

Olhos que me ignoram
Bem fazem para as suas miopias
Aqueles que me cercam
Que vejam mais as minhas verdades

Que a dose de meu caminhar
Seja incentivo para tuas lembranças
Dome o teu comodismo
E faça teus passos cruzarem minha estrada.

12 de outubro de 2010

Confundi dentro de mim a mim mesma
com aquele ser que não sei dizer se há
se houvesse o que falar e transcender
você poderia entender e me dissolver
engolir e se confundir assim como a mim
eu iria me sentir misturada e sua mistura
lhe seria sensível e nos olhos os outros
iriam nos ver confundidos e mexidos
transmitidos e transmitindo confusão.

27 de setembro de 2010

Sou livre para voar dentro do quarto
sentindo a brisa que o ventilador assopra,
para correr pelo chão já marcado

e limitado pelo mapa da solidão.

Ilusão,
liberte-se de mim!

27 de agosto de 2010

Uma luminária de sorrisos
Clareando o seu jardim
Irá fazer brilhar o céu,
Flores irão crescer por entre as pedras
As águas dançando, correndo e formando um lindo véu...

2 de agosto de 2010

Vai-e-vem

Quando as cores invadem o olhar
A mente sorrir fazendo a boca disparar vulgaridades
Os dentes mastigam a língua
Dançando com a música
O coração acelera conforme as batidas
Que os ouvidos suportam
Elas entortam os caminhos da mente
Numa inconstância indecente
Nada segue o seu percurso normal.

14 de julho de 2010

Entenda,

Nem só de flores vive o meu jardim, Henrique
Não apenas pela chuva se entristece o meu sol

Os meus sonhos não se fazem de todo desamor, rejeitados
Também há mel junto ao fel que me alimenta
Ainda encontro doce no amargo que sempre me traz.

1 de julho de 2010



Uma Dor

Saíram dos olhos lágrimas cortantes de sangue
Marcando o sorriso cravado da prisioneira língua
Ardente o ar cortando os pulmões imprescindíveis
Na cabeça se desfez o grito que silenciou todo o resto.




22 de junho de 2010

Poderia ver o sol se esconder
E ver a chuva lavar a intranqüilidade da rua
Pegaria a noite e engoliria de vez
Para as nuvens se dispersarem
E encobrirem a imensidão da lua

Destruiria os carros e o asfalto viraria pó
Sem o barulho das máquinas
Ouviria os pássaros cortando o vento
E a sincronia do movimento iria reinar

A onda de energia dominando o pensamento...

8 de junho de 2010

Um Dia

Hoje quem sorriu não foi o sol
Ele chorou e espantou nuvens negras
Que se espalharam pelo céu.
Só a terra bebeu de suas lágrimas

2 de junho de 2010

Uma Rima

Meu tato com o teu da forma mais indelicada
Meus desejos pelos teus na boca descontrolada
Meus sorrisos engolindo teu pensamento
Correndo pelo quarto ilimitado

12 de maio de 2010

Enfeite da impaciência e da intolerância
Com sal e açúcar, muita água para sustentar as lágrimas
Grandes olhos para condicionar os sorrisos
E tantos issos e aquilos que o pensamento alheio não vê
A mente não sente.



Tela de Nelson Magalhães Filho

2 de maio de 2010

Está cada dia mais difícil dormir. Dormir mesmo, deitar, descansar e adormecer, sonhar e despertar com a sensação de alívio e tranqüilidade no corpo. E na mente também.


Talvez o fato de minha mente não conseguir facilmente se tranqüilizar, me fez começar esse texto. Começar, por que não sei se terminarei. O cansaço é forte, o sono é acumulado, sabe? Parece que o peso existente é maior, mas ele não é maior. Talvez seja, mas uma única dormida já resolveria, ou não resolveria. Não sei. Eu tentei sonhar da ultima vez que tentei dormir, mas ultimamente tenho ficado nas tentativas. Eu poderia me concentrar num céu azul e criar um barulho de mar antes de tentar, mas nem isso o sono deixa.


Da ultima vez que chorei, adormeci. Sim, eu adormeci e acordei com o sono mais perturbador que antes. Ai eu conclui que não tinha adormecido de verdade. Não sei o que foi que me aconteceu, nem sei o que anda acontecendo com meus sonhos, queria saber quem, naquela ultima noite que eu dormi realmente, me condenou a essa angústia que me faz escrever agora.

Seria sim, muito mais interessante ir dormir, e sonhar, e descansar e acordar e não ler esse texto do que ler ele agora. Dizem que ler faz o sono aparecer e se saciar. Relevando isso, eu escreverei pra eternidade, ou até que eu adormeça e sacie esse sono. Vendo que eu leio sempre tudo que escrevi ao final de cada parágrafo, acho que daqui pra nestante vou conseguir pegar no sono. Mas é pegar mesmo, tocar e sentir esse sujeito que me faz doer a cabeça.


E como dói essa minha cabeça! Acho que é o peso, eu não consigo me adequar a ele. Tem gente que vive suportando essa falta de uma noite bem dormida, ou um dia bem dormido para que se possa aproveitar o dia. Eu não ando aproveitando nem o dia nem a noite. Nem dormindo, nem acordada. Ando assim assim, parecendo que o comando está nas mãos de outra pessoa. Poderia ser legal sentir-se comandada por outra pessoa em alguma situação, mas nessa situação não é bom, nem no sexo por que não há sexo.

5 de março de 2010

Na noite a boca sangra
Os ouvidos se alegram
Ao som de Grace
Os olhos se torturam
Diante da claridade
Os dedos obedecem a mente
Que com sua empáfia
Acorda todo o resto


O resto é resto
E só continua se a mente mandar
A mente ordena e condena
Os olhos sangram
Os ouvidos se alegram
A boca se devora
A mente não suspira.








Tela de Nelson Magalhães Filho


3 de fevereiro de 2010

meus olhos cospem os raios de sua nascente
meu interior é todo claridade
tanta luz que meu corpo flutua
destaca-se no imenso contorno,
havia escuridão.

15 de janeiro de 2010


Pedra não sente

Se pedra sentisse

Pedra não seria pedra.

A flor não chora

Quem chora sou eu

Se a flor chorasse

A flor não seria flor.

Há quem se assemelhe a pedras

Eu nem de longe me pareço com as flores.