12 de maio de 2010

Enfeite da impaciência e da intolerância
Com sal e açúcar, muita água para sustentar as lágrimas
Grandes olhos para condicionar os sorrisos
E tantos issos e aquilos que o pensamento alheio não vê
A mente não sente.



Tela de Nelson Magalhães Filho

2 de maio de 2010

Está cada dia mais difícil dormir. Dormir mesmo, deitar, descansar e adormecer, sonhar e despertar com a sensação de alívio e tranqüilidade no corpo. E na mente também.


Talvez o fato de minha mente não conseguir facilmente se tranqüilizar, me fez começar esse texto. Começar, por que não sei se terminarei. O cansaço é forte, o sono é acumulado, sabe? Parece que o peso existente é maior, mas ele não é maior. Talvez seja, mas uma única dormida já resolveria, ou não resolveria. Não sei. Eu tentei sonhar da ultima vez que tentei dormir, mas ultimamente tenho ficado nas tentativas. Eu poderia me concentrar num céu azul e criar um barulho de mar antes de tentar, mas nem isso o sono deixa.


Da ultima vez que chorei, adormeci. Sim, eu adormeci e acordei com o sono mais perturbador que antes. Ai eu conclui que não tinha adormecido de verdade. Não sei o que foi que me aconteceu, nem sei o que anda acontecendo com meus sonhos, queria saber quem, naquela ultima noite que eu dormi realmente, me condenou a essa angústia que me faz escrever agora.

Seria sim, muito mais interessante ir dormir, e sonhar, e descansar e acordar e não ler esse texto do que ler ele agora. Dizem que ler faz o sono aparecer e se saciar. Relevando isso, eu escreverei pra eternidade, ou até que eu adormeça e sacie esse sono. Vendo que eu leio sempre tudo que escrevi ao final de cada parágrafo, acho que daqui pra nestante vou conseguir pegar no sono. Mas é pegar mesmo, tocar e sentir esse sujeito que me faz doer a cabeça.


E como dói essa minha cabeça! Acho que é o peso, eu não consigo me adequar a ele. Tem gente que vive suportando essa falta de uma noite bem dormida, ou um dia bem dormido para que se possa aproveitar o dia. Eu não ando aproveitando nem o dia nem a noite. Nem dormindo, nem acordada. Ando assim assim, parecendo que o comando está nas mãos de outra pessoa. Poderia ser legal sentir-se comandada por outra pessoa em alguma situação, mas nessa situação não é bom, nem no sexo por que não há sexo.

5 de março de 2010

Na noite a boca sangra
Os ouvidos se alegram
Ao som de Grace
Os olhos se torturam
Diante da claridade
Os dedos obedecem a mente
Que com sua empáfia
Acorda todo o resto


O resto é resto
E só continua se a mente mandar
A mente ordena e condena
Os olhos sangram
Os ouvidos se alegram
A boca se devora
A mente não suspira.








Tela de Nelson Magalhães Filho


3 de fevereiro de 2010

meus olhos cospem os raios de sua nascente
meu interior é todo claridade
tanta luz que meu corpo flutua
destaca-se no imenso contorno,
havia escuridão.

15 de janeiro de 2010


Pedra não sente

Se pedra sentisse

Pedra não seria pedra.

A flor não chora

Quem chora sou eu

Se a flor chorasse

A flor não seria flor.

Há quem se assemelhe a pedras

Eu nem de longe me pareço com as flores.